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Com atendimento restrito, hospitais de Porto Alegre só recebem pacientes com risco de morte | Rio Grande do Sul

Situação ocorre nas emergências do Clínicas, do Conceição e da Santa Casa. Problema acaba sobrecarregando Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

Três hospitais de Porto Alegre, que recebem pacientes de todo o Rio Grande do Sul, restringiram o atendimento e passaram a receber apenas pacientes com risco de morte. A situação ocorre nas emergências do Clínicas, do Conceição e da Santa Casa.

A explicação para problema ocorre devido à superlotação e ao fechamento de vagas. Desde 2010 foram fechados na cidade 422 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Só no Hospital Parque Belém, que deixou de funcionar em maio deste ano, foram 208 vagas a menos ao longo dos últimos sete anos.

A dona de casa Ligiane de Castro dos Santos levou o filho para atendimento e precisou ir para outro lugar. “Eu passei pela triagem, ela nem olhou para o meu filho. Simplesmente disse que estão atendendo em caso muito grave, se a criança chegar com convulsão ou com febre muito alta. E me mandou ir para o Hospital da Criança.”

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) a situação é similar a dos três hospitais. O comerciante Adriano Buratto ajudou a socorrer um vizinho que estava passando mal, que foi levado para a UPA. “Cheguei aqui, conversei ali dentro e ela viu como o estado dele era grave, rapidamente levaram ele pra dentro. O problema é que só tem um médico, é isso que me preocupou ali, só tem um médico lá dentro.”

Para Simers, solução é abrir leitos

Para o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo, a solução definitiva seria abrir leitos. “Nós temos uma carência muito grande leitos”, reforça. “Enquanto não se faz isto, pelo menos contratar médicos pra atender esses pacientes que tão baixados nas emergências. então como nós criamos verdadeiros hospitais clandestinos nos postos de saúde, nos postões, UPAs. Então nós precisamos ter médicos contratados pra atender os pacientes baixados.”

A Secretaria Municipal da Saúde diz que muita gente da Região Metropolitana de Porto Alegre busca atendimento na capital e isso ajuda a sobrecarregar os hospitais.

“Muitas vezes há uma sensação de que se for direto a um hospital, a uma emergência hospitalar vai ter logo o seu problema resolvido, porque tem exames. E isso às vezes é ilusório, porque se aquela necessidade do paciente ela é mais simples, e ela puder ser resolvida nos prontos atendimentos, Unidades Básicas de Saúde (UBS), o usuário vai tá ajudando a ser melhor atendido”, afirma o diretor da Atenção Hospitalar e Urgências da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Porto Alegre.

Centro de Saúde Modelo é alternativa na capital

Em Porto Alegre, uma alternativa para quem busca atendimento é o Centro de Saúde Modelo, que atende até às 22h. No local não há restrições e todos os pacientes são atendidos.

“A gente gostaria que sempre a referência para cuidar das pessoas seja sempre as unidades de atenção primária, os postos de saúde. Um bom posto de saúde consegue resolver 85% das situações. E essas coisas mais frequentes que não colocam a pessoa em risco de vida, podem perfeitamente ser cuidadas no posto”, observa o coordenador da Atenção Primária da SMS, Thiago Frank.

Já na UPA da Zona Norte a auxiliar de serviços gerais Eliane da Silva relata que teve que esperar 8h para atendimento.

“Eu cheguei aqui eram umas 2h, eu estava com bastante dor no peito, dor nas costas, desconforto, que na semana passada eu já tive um começo de pneumonia. Daí agora eu estava assim eu vim, daí eu fiquei até umas 3h30 esperando para entrar, daí entrei lá para dentro, fiz uma medicação, daí a médica disse que eu estou bem.”

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