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Com alta de 1,0% do PIB, economistas pedem cautela sobre futuro – CORREIO

Na comparação do primeiro trimestre deste ano com os primeiros três meses de 2016, houve queda de 0,4%.

Economia cresce pela primeira vez, após oito quedas consecutivas

Após dois anos registrando oito quedas trimestrais consecutivas, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil voltou a crescer. A alta foi de 1,0% no primeiro trimestre em relação ao último de 2016, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta trimestral desde o segundo trimestre de 2013, quando a soma das riquezas produzidas no Brasil cresceu 2,3% em relação ao primeiro trimestre de 2013. 

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, porém, a economia brasileira continuou encolhendo, dessa vez pelo 12º trimestre seguido. Ainda assim, a queda de 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2016 foi a menor desde o quarto trimestre de 2014, quando o recuo foi de 0,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

(Imagem: Gráficos Correio)

Campo pujante 

A alta de 13,4% no PIB da agropecuária no primeiro trimestre ante o quarto de 2016 é a maior nessa base de comparação desde o quarto trimestre de 1996, quando a alta foi de 23,8%, conforme o IBGE.  

A variação nula no PIB de serviços foi a primeira desde o quarto trimestre de 2014, quebrando uma sequência de oito trimestres negativos. Nessa mesma base de comparação, a alta de 0,9% no PIB da indústria a maior desde o segundo trimestre de 2013, quando  foi de 3,4% ante o primeiro trimestre daquele ano. 

Já a alta de 4,8% nas exportações do primeiro trimestre 2016 foi a maior desde os primeiros três meses de 2015, quando a alta foi de 6,0%.

Em queda 

A indústria de construção caiu 6,3% no primeiro trimestre do ano, comparado a igual período do ano anterior, revelou o IBGE. Em relação ao quarto trimestre de 2016, no entanto, o setor apresentou alta de 0,5%. O IBGE informou ainda que a indústria de transformação registrou queda de 1%, comparado ao primeiro trimestre de 2016 e alta de 0,9% ante o trimestre imediatamente anterior.  

Já a indústria extrativa mineral avançou 9,7% no primeiro trimestre, comparado a igual período de 2016 e cresceu 1,7%, em relação ao quarto trimestre.  A produção e a distribuição de eletricidade, gás e água cresceram 4,4% e 3,3% na comparação com os primeiros três meses de 2016.

Patamar de 2010

A despeito do crescimento da atividade econômica no primeiro trimestre,  o PIB brasileiro ainda está no patamar do ano de 2010, contou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. “Deu uma recuperação em relação ao trimestre anterior. Antes do crescimento, o PIB estava no patamar do início de 2010, agora está no patamar do fim de 2010”, explicou Rebeca.

Para ela, é preciso “esperar para ver o que vai acontecer neste ano ainda” antes de afirmar que a recessão ficou para trás. “Tivemos um crescimento no primeiro trimestre, até expressivo, só que contra uma base reduzida. Tivemos oito trimestres seguidos de queda. Então vamos ver o que virá aí para a frente”, afirmou.

Governo comemora

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comemorou o fim da recessão, mas não descarta a possibilidade de que a economia volte a mostrar alguma fraqueza no segundo trimestre. Ele reafirmou a previsão de que a economia brasileira crescerá 0,5% no ano de 2017 e terminará o quarto trimestre com ritmo de expansão de 2,7% na comparação ante igual período de 2016. 

“Sim, a recessão acabou. Não há duvida”, disse. O ministro da Fazenda notou, porém, que quando um país “retoma o crescimento não é uma linha reta”. Meirelles explicou que em momentos de volta ao crescimento ou início de recessão é comum que trimestres seguidos mostrem comportamento não linear. Ou seja, há comportamento com uma tendência em um trimestre e outro movimento no período seguinte.  Meirelles reafirmou, porém, que a expectativa é de crescimento para o conjunto do ano.

 “O que nós esperamos é que, durante o decorrer do ano, continue a crescer e chegaremos ao final do ano com ritmo de crescimento sólido de cerca de 3% ao ano”. 

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, atribuiu o crescimento ao “conjunto de ações de política econômica que tem sido implementado nos últimos 12  meses”. Em nota, ele destacou o avanço das reformas econômicas no Congresso Nacional. “Esse PIB se soma a outros números positivos que demonstram que a recuperação econômica está em curso”, disse.

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