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Chuvas foram há dois meses, mas o improviso perdura

Na Tijuca, lonas de plástico foram instaladas às margens do Rio Maracanã para impedir que o terreno volte a ceder
– Agência O Globo / Antonio Scorza

RIO – Passados dois meses da tempestade que deixou quatro mortos e dezenas de famílias desalojadas no Rio, a cidade ainda convive com problemas provocados pela chuva, a mais volumosa da história do município para um período de uma hora. No Méier, a Praça José Flávio Silvério, que fica numa parte alta da Rua Almirante Calheiros da Graça, esquina com Avenida Amaro Cavalcante, cedeu com a força do temporal da madrugada do dia 15 de fevereiro. O local está interditado desde então, cercado com tela, mas, como o trabalho de recuperação ainda nem começou, parte do terreno cedeu e cobriu a calçada. Na Tijuca, um trecho de 30 metros da Avenida Maracanã foi isolado devido à queda de uma árvore às margens do Rio Maracanã, na altura da Rua Doutor Otávio Kelly. Apesar de terem sido instaladas placas de sinalização para a obra, até ontem não havia equipes trabalhando no local.

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VIZINHOS TEMEM ACIDENTES

Nesta segunda-feira, o barranco formado após o deslizamento da Praça José Flávio Silvério ameaçava cair sobre pedestres, que são obrigados a caminhar pelo asfalto. Segundo o advogado Carlos Pacheco, que mora na região, após o temporal, a prefeitura mandou uma equipe de limpeza e instalou pedaços de madeiras para fazer uma espécie de contenção. Depois disso, ele diz que nenhum operário voltou a ser visto no local:

— Nunca mais vimos ninguém aqui. E a esquina está um perigo. Quando morrer alguém, a prefeitura aparece.

Por causa da chuva, um balanço da área de lazer, pedaços de uma árvore e um sinal de trânsito caíram, e a terra invadiu a rua. A dona de casa Damiana Dias da Conceição é obrigada a contornar a praça diariamente, para levar os filhos à escola:

— No outro dia, quase atropelaram meu filho. A prefeitura só colocou essas madeiras para escorar o muro, mas abandonou a praça.

O risco de novos desabamentos também preocupa os moradores da Avenida Maracanã, onde uma árvore tombou, arrancando as margens de concreto do rio. O deslizamento acabou atingindo a grade da Escola Municipal Soares Pereira. A prefeitura removeu troncos e pedaços de pedras e cimento e, além disso, instalou lonas para conter o deslizamento de terra. De acordo com moradores, toda semana aparecem operários da Secretaria municipal de Obras. Eles olham o estrago, mas não dão início à recuperação. Dois meses depois da chuva, pedaços da raiz da árvore e blocos de concreto ainda estão na rua.

— Além do transtorno no trânsito, convivemos com o medo de isso desabar de vez — disse Alessandro Costa, que costuma correr no local.

A guardadora de carros Maria de Fátima da Silva reclama que seu trabalho está prejudicado desde que a Secretaria municipal de Obras instalou placas de proibição de estacionamento nos dois lados da rua e colocou barreiras para impedir que veículos passem em parte da avenida.

— As pessoas veem a placa da secretaria e não querem parar, mesmo eu dizendo que não tem obra — afirmou.

A Fundação Rio-Águas informou, por nota, que deu continuidade ontem às obras de recuperação das margens do Rio Maracanã. Segundo o órgão, o local tem sido monitorado diariamente e já foram feitos sondagens e levantamento topográfico. A previsão é que as obras, cujo valor não foi informado, estejam concluídas em seis meses. Já a Secretaria municipal de Conservação disse que, no mesmo dia 15 de fevereiro, “a Comlurb retirou todo o material da pista e a Geo-Rio instalou tapumes por questão de segurança” na praça do Méier. Segundo a Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a área entrará em obras na próxima semana. O órgão explica que os tapumes foram instalados para evitar acidentes com pedestres.

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