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CCJ pode votar hoje denúncia contra Temer – Politica

A base de Temer se articula para acelerar a votação(foto: Beto Barata)
A base de Temer se articula para acelerar a votação (foto: Beto Barata)

O primeiro dia de debates sobre a denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi dominado por discursos da oposição. Mesmo com o pedido do presidente do colegiado, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), para estender a discussão, a expectativa é que o relatório que pede a rejeição da denúncia contra o presidente, produzido pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), seja votado nesta quarta-feira (18). O rolo compressor do Palácio do Planalto está pronto para operar de novo, como ocorreu na primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acabou rejeitada. Dentro da comissão, o governo comemorou o adiamento da decisão do PSB de expulsar três deputados da legenda. Dois dos parlamentares alvos, Danilo Fortes (CE) e Fábio Garcia (MT), fazem parte da CCJ e são considerados votos favoráveis a Temer no colegiado. A líder do partido na Câmara, Tereza Cristina (MS), sob risco de expulsão, também é favorável a Temer.

A base governista aposta na rejeição da denúncia dentro da comissão, por uma boa margem — entre 40 e 42 votos contra 25 a 23 votos, já contando com a abstenção de Rodrigo Pacheco. Durante o dia de ontem, o PSD trocou dois integrantes da bancada, substituindo os deputados Expedito Neto (RO) e Eder Mauro (PA) por Evandro Roman e Edmar Arruda, ambos do PR. Na votação da primeira denúncia, em agosto, ambos votaram a favor de Temer no plenário. Segundo Rodrigo Maia, a expectativa é que a votação da denúncia no plenário deve ocorrer na próxima quarta-feira.

PACIFICAÇÃO Confiante de que conseguirá arquivar a segunda denúncia na Câmara, mas que o desgaste na relação com os aliados aumentou, o presidente Michel Temer está preocupado com o andamento das reformas após a votação prevista para a semana que vem. Temer está tenso com o esgarçamento no relacionamento com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e tem procurado deputados com bom trânsito nos dois lados para tentar reconstruir a relação política.

Temer sabe que, vencida esta etapa, com a proximidade do calendário eleitoral, o comando da pauta de votações estará, cada vez mais, nas mãos do Congresso, particularmente de Maia e do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). E que terá pouca ou nenhuma influência no ritmo dessas escolhas, pois o parlamento tenderá a se afastar de um presidente que ostenta índices baixos de aprovação popular. “Na minha opinião, o Congresso deve assumir um protagonismo maior daqui para frente, em uma espécie de parlamentarismo informal”, defendeu o deputado Rogério Rosso (PSD-DF).

Este foi um dos panos de fundo do almoço do qual Temer participou ontem na residência do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI). Ao lado do presidente, além do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco — sogro de Rodrigo —, estavam presentes parlamentares que conseguem dialogar tanto com Temer quanto com Maia.

Na saída do almoço, o presidente demonstrou otimismo quanto à votação na CCJ, que deve acontecer hoje ou, na pior das hipóteses, amanhã. Ao ser questionado se o vídeo do delator Lúcio Funaro, divulgado no último fim de semana, atrapalhava a votação amanhã, primeiro o presidente fez um gesto negando com as mãos. Em seguida, respondeu: “Nada atrapalha”.

“Aqui é proibido falar de crise. A conversa foi leve. Se ele tivesse tenso, ele não sairia do Palácio. Prova disso (que não está tenso) é que ele veio aqui sem hora para sair. Eu o convidei para comer uma galinhada. É proibido falar de coisa ruim”, afirmou Heráclito. Mais cedo, no entanto, Temer esteve com a líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MT). “Eu o achei tenso. Você vê no semblante dele que ele não está confortável”, admitiu a líder socialista.

Outra estratégia da base governista é cooptar os dissidentes do PSB. O partido chegou a expulsar os parlamentares que votaram contra o governo e tem resistido às investidas do governo. Resta saber agora como será que vai votar na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário da Câmara a nova denúncia da PGR contra Michel Temer.s

Defesa dos parlamentares

Após reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tentou minimizar as notícias de que estaria em crise com o Planalto. “Vocês da imprensa confundem a defesa da Câmara com um conflito com o presidente Michel Temer”, afirmou. “Eu sou presidente da Câmara e, quando eu entendo que a Câmara ou seus servidores são atacados, eu tenho que reagir, em nome da instituição.”

Maia lembrou a polêmica em torno da divulgação dos vídeos da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro. O presidente da Câmara disse que o STF não requereu o sigilo dos arquivos, e que o advogado Eduardo Carnelós era “incompetente”. Apesar de reconhecer o “mea culpa” da defesa, o presidente da Câmara disse entender que o advogado “não teve humildade para reconhecer o erro”.

Apesar de Maia minimizar a polêmica, não foi a primeira vez em que ele teve problemas institucionais com o Palácio do Planalto. Desde o primeiro semestre, ele já vinha reclamando que o Planalto só atende as prioridades do PMDB, partido do presidente Temer, deixando de lado demandas de aliados importantes do governo, como o DEM.

Outro motivo de insatisfação é o PSDB. Os dissidentes tucanos que votam contra o governo não têm sofrido retaliação do Planalto, o que também irrita aliados importantes do governo, como o próprio DEM. Houve tanta insatisfação, que deputados passaram a evitar o ministro tucano Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e a procurarem diretamente o presidente Temer.

 

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