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Campinas faz acordo para retomar partos na Maternidade e recorre à rede privada por leitos de UTI neonatal | Campinas e Região

Unidade voltará a receber mulheres com idade gestacional de 37 semanas. Caism da Unicamp mantém restrição para internações e Hospital da PUC está lotado.

Maternidade irá retomar partos de baixa complexidade, em Campinas

Maternidade irá retomar partos de baixa complexidade, em Campinas

A Secretaria de Saúde em Campinas (SP) e a Maternidade fizeram um acordo, na noite desta quinta-feira (29), para que a unidade retome partos de baixa complexidade. Além disso, diante da limitação nos atendimentos em UTIs neonatais dos três únicos hospitais que recebem pacientes pela rede pública, o governo recorreu à rede privada e prevê auxílio, em casa, às crianças que precisarem.

Segundo o titular da pasta, Cármino de Souza, 60% das mulheres têm gestação de baixo risco e os partos delas serão realizados nas unidades onde estão programados, incluindo a Maternidade.

“Agora, o problema maior que surgiu, com esse surto do vírus sincicial, ele está principalmente ligado aos partos de alto risco e crianças que tenham prematuridade ou alguma comorbidade e que precisam ficar lá”, falou. Um ofício estabelece que serão internadas na unidade as mulheres com idade gestacional de 37 semanas completas ou mais que estejam em trabalho de parto.

À EPTV, afiliada da TV Globo, ele explicou que há 38 leitos em uso na unidade, e cada ilha de atendimento está ocupada por quatro crianças. “Ontem a Maternidade adaptou dois quartos para uma unidade de cuidado intensivo, que é intermediário, ela imediatamente foi ocupada com quatro crianças e nós estamos trabalhando em conjunto, seja na área pública ou privada” explicou.

A orientação do secretário é para que as gestantes mantenham o que foi planejado durante o acompanhamento obstétrico. “Se for um parto de baixo risco, ela fará onde estava programado. Se for um parto de alto risco, aí vai ter que ter orientação, seja da Maternidade ou de outros hospitais, e se necessário, através da regulação municipal, estadual, nós deslocaremos as crianças para poder ter espaço para esse parto dentro do hospital onde esse parto de alto risco deve ser feito.”

O documento divulgado pela Prefeitura determina, por outro lado, a continuidade do bloqueio de leitos para cesáreas eletivas (agendadas previamente) e gestantes de alto risco.

“Tudo isso é momentâneo e será reavaliado diuturnamente”, falou a diretora de Saúde em Campinas, Monica Macedo Nunes. Segundo ela, um pedido foi feito ao estado para que gestantes e recém-nascidos de outros municípios não sejam encaminhados para hospitais de Campinas.

Bebê na UTI neonatal da Maternidade de Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)Bebê na UTI neonatal da Maternidade de Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Bebê na UTI neonatal da Maternidade de Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Souza afirmou que o processo é complexo, sazonal, ocorre há meses no estado de São Paulo e não há esperança de que seja resolvido rapidamente no município.

“Só temos uma alternativa, que é solidariedade entre as várias instituições e essa organização logística no sentido de dar o melhor leito para criança que precisar”, destacou.

Além de acionar unidades da rede privada, entre elas, o Hospital Vera Cruz, Souza afirmou que a situação na Maternidade será monitorada diariamente para que seja uma feita uma “triagem”.

“As crianças que tiverem condições de alta e que puderem ir para casa irão, com suporte da saúde pública. Aqueles que não puderem ir para casa, mas puderem se deslocar para outro leito, a gente vai procurar esse leito. E essas crianças que estão lá, seja infectada ou quarentena, essas crianças são monitoradas clínica e laboratorialmente até que fiquem livres, primeiro do vírus e, segundo, melhorem condição de saúde para ir para casa”, afirmou o secretário de saúde.

De acordo com ele, os acompanhamentos nas residências serão realizados por um sistema de atendimento domiciliar e eles serão feitos “onde for possível e necessário”.

Souza afirmou que as unidades privadas demonstraram solidariedade, diante da situação problemática. Além disso, afirmou ter acionado o estado para que, eventualmente, as crianças de casos menos complexos sejam remanejadas a outros hospitais da região de Campinas.

“Hoje esse problema não é exclusivo do leito SUS, é importante dizer, é um problema que também está ocorrendo na rede privada. Como secretário, eu posso convocá-los, solicitar a estrutura disponível para atender à população numa situação de emergência maior. Nós faremos monitoramento todos os dias, gostaríamos de restabelecer o mais rápido possível. A gente tem que dar garantia, para população de convênio ou SUS, vão ter parto que precisam”.

A assessoria de imprensa do Hospital Vera Cruz informou que haverá apoio para a secretaria, mas qualquer atendimento do SUS deve passar antes pela central de regulação.

A Maternidade de Campinas suspendeu, até a tarde desta quinta-feira, a internação e o recebimento de grávidas acima de 20 semanas ou a transferência de recém-nascidos externos. A unidade tem quatro casos do vírus sincicial respiratório em bebês, que pode provocar bronquiolite.

Durante o dia, foram recebidas somente as gestantes que estavam em situação de emergência, dando à luz. Segundo a Prefeitura, o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) foi notificado na quarta-feira (28) sobre um surto de vírus na UTI neonatal do hospital.

“Imediatamente fez uma vistoria na unidade para verificar o caso e as providências adotadas. O Devisa está acompanhando as medidas em curso e considera que estão adequadas”, diz nota. A Maternidade faz de 900 a 1 mil partos por mês. Deste total, média de 500 são de pacientes do SUS.

O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp é referência para casos de alto risco e está com os leitos neonatais lotados nesta quinta-feira. Há quase dois meses, o hospital enfrenta superlotação e suspendeu as internações de gestantes. Não há casos de VSR na unidade.

Dos 30 leitos, entre eles 15 de UTI e outros 15 de UCI (unidade de cuidados intermediários), 29 estão ocupados e dois bebês prematuros estão previstos para nascerem a qualquer momento, informou o hospital. Mesmo assim, nesta quinta a unidade recebeu três gestantes que tinham parto previsto para a Maternidade, mas somente uma delas conseguiu ser internada no Caism.

O Caism, na Unicamp  (Foto:  Luciano Calafiori/G1)O Caism, na Unicamp  (Foto:  Luciano Calafiori/G1)

O Caism, na Unicamp (Foto: Luciano Calafiori/G1)

Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas

Dos 16 leitos contratados para UTI neonatal SUS, 16 estavam ocupados nesta quinta-feira. No entanto, apesar da lotação, o hospital informou que não suspendeu as internações. As gestantes de alto risco encaminhadas pela Prefeitura serão atendidas e internadas, informou a assessoria.

O hospital informou que está levantando as informações sobre como poderia providenciar uma infraestrutura para recebê-las. No pronto-socorro, a alternativa é adaptar leitos. Nesta quinta, o PS adulto contabilizava 41 internados, para 12 leitos contratados do SUS.

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