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Brio modifica usos dos espaos no Beira-Rio

Formada pela sociedade da Andrade Gutierrez com o banco BTG Pactual, a Brio, que conduziu a remodelagem do estádio Beira-Rio aportando mais de R$ 350 milhões no complexo, busca agilizar o retorno do investimento feito. Nesse sentido, a empresa desencadeou um processo de reinvenção e de reposicionamento estratégico da companhia.

O presidente da Brio, Paulo Urnau Pinheiro, comenta que foi identificado que o crescimento das vendas dos produtos da empresa (cadeiras e camarotes) não estava acelerado como se desejava. “A nossa concessão, de tudo que fazemos no Beira-Rio, é de 20 anos, temos mais 16 anos pela frente e precisamos construir um negócio. Nosso papel aqui na Brio, meu papel como presidente, é ter retorno do investimento”, frisa o executivo.

A Brio, que administra o Beira-Rio em parceria com o Internacional, faz a gestão de 7,5 mil lugares no estádio (sendo 5 mil em cadeiras e 2,5 mil espalhados por 125 camarotes), 65 bares internos e 40 lojas externas. Também lida com a comercialização de patrocínios e publicidade, e administra o edifício-garagem Beira-Rio, com 3 mil vagas de estacionamento e o Sunset Beira-Rio (espaço de lazer, com alimentação e bebidas). Além disso, é responsável por shows e eventos realizados estádio.

No caso das cadeiras para assistir aos jogos, Pinheiro frisa que o foco da Brio é firmar contratos de longo prazo (pela temporada de um ano), mas a empresa também vende ingressos para uma única partida, por meio dos assentos que se encontram ociosos (sem proprietários). Das 5 mil cadeiras da Brio, cerca de 1,2 mil possuem acordos de maior duração. Dos 55 camarotes superiores, 30% estão comercializados, e os outros 70 camarotes inferiores têm em torno de 60% dos espaços vendidos. Os preços dos camarotes, que garantem 18 lugares para os torcedores e quatro vagas para carros no estacionamento, dependendo da posição no estádio, podem variar de R$ 125 mil a R$ 250 mil anualmente.

Pinheiro explica que o Inter administra suas próprias áreas, que envolvem 42,5 mil lugares, e há pontos em comum, que funcionam como uma espécie de condomínio, em que as despesas são divididas. Contudo, em dias de shows, o que o executivo trata como módulo entretenimento, o estádio inteiro fica sob responsabilidade da Brio. Nessas ocasiões, o Beira-Rio é locado para uma produtora, que faz a montagem do espetáculo. Nessas datas, os custos de insumos como a eletricidade, por exemplo, são arcados somente pela Brio.

O reposicionamento da companhia começou com a pesquisa de mercado, realizada pela empresa Vitamina, intitulada “Futebol é Emoção – um estudo sobre comportamento”, que foi aprofundada pelo “Estudo do comportamento de consumo do torcedor em jogos de futebol e de usuários e frequentadores do Beira-Rio em outros eventos”, desenvolvida pela Matriz, agência de publicidade da Brio. Foram definidos novos produtos, campanhas publicitária e promocional, reambientação de espaços, posicionamento estratégico, formatos de comercialização e marcas. Além disso, a sinalização e as áreas físicas administradas pela Brio terão novo projeto arquitetônico.

“Estamos fazendo esse reposicionamento, porque a gente enfrentou uma crise (econômica), nós e todo mundo”, diz o presidente da Brio. Pinheiro lembra que foi feito um plano de negócios no início do projeto da Brio com o Beira-Rio que leva em conta um horizonte de 20 anos. O dirigente informa que o prazo de pagamento dos financiamentos é de 13 anos, então, teoricamente, os últimos sete anos da concessão são para recuperar o investimento. Porém essas projeções podem ser atualizadas todos os anos.

A Brio também vai trocar a nomenclatura dos skyboxes, que passaram a se chamar simplesmente de camarotes. O presidente do grupo, Paulo Urnau Pinheiro, brinca ao explicar o que é um skybox: “é um camarote localizado um pouco mais para cima”. Já nas cadeiras foram diminuídas as segmentações, sendo reduzidas para três tipos de produtos: cadeiras centrais, laterais e a mundial (essa última dá direito a estacionamento e alimentação).

Também estão sendo simplificados os processos de venda e comercial, facilitando a comunicação com o torcedor. A área administrada pela Brio que se chamava Beira-Rio Premier Club sofreu uma reambientação e passou a ser conhecida como “Coração do Gigante”. Além disso, foi mudada a plataforma tecnológica para facilitar a venda de ingressos. Já o Sunset Beira-Rio teve o layout redesenhado no final do ano passado e, em 2018, haverá um relançamento da área. Quanto às lojas na parte externa do estádio, Pinheiro diz que 15 unidades estão ocupadas e, em março, mais 15 serão utilizadas por bares.

O executivo admite que a passagem do Inter pela série B do campeonato brasileiro prejudicou os negócios (da Brio e do clube). Uma das soluções para as dificuldades foi encontrada nos shows. Em 2017, o Beira-Rio recebeu sete eventos. Sobre a possibilidade de a Andrade Gutierrez desfazer-se da participação na Brio, Pinheiro afirma que qualquer empresa, quando enfrenta dificuldades, toma atitudes. O dirigente diz que a companhia analisou as possibilidades dos seus ativos naquele momento, mas nada mudou quanto à operação da Brio. 

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