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Brasil e outros cinco países suspendem atividades na Unasul

Nações protestam contra paralização e vacância do posto de secretário-geral do bloco

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Da redação

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20 abr 2018, 20h39

O Brasil juntamente com Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru informaram na quinta-feira (19) que irão suspender por tempo indefinido sua participação na União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

A nota foi dirigida à Bolívia, que ostenta a presidência temporária do bloco, e afirma que as nações decidiram “não participar das distintas instâncias” da Unasul enquanto não for garantido “o funcionamento adequado da organização”.

A secretaria da entidade está vacante desde janeiro do ano passado, quando o ex-presidente colombiano Ernesto Samper deixou o cargo.

O documento afirma que a situação atual e a “impossibilidade para designar um secretário-geral por falta de consenso ao redor do único candidato apresentado até o momento” teve “graves consequências para a organização”.

O grupo dos seis países signatários é formado pelas nações mais ricas da região. Eles tentam forçar uma ação da Unasul e cobram a indicação do embaixador argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral.

Bordón foi indicado pela Argentina no início do ano passado, sendo apoiado por Brasil e pelos outros signatários. O governo brasileiro defendia que a presença do argentino à frente do bloco diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada por países autodenominados “bolivarianos”. No entanto, não houve consenso para a nomeação de Bordón e, desde então, o bloco está praticamente inativo.

A divisão entre bolivarianos e conservadores, que hoje domina a organização, impede que sejam tomadas decisões por consenso, como exigido pelo estatuto do bloco.

Segundo afirmou uma fonte do Itamaraty, que pediu para não ser identificada, à agência de notícias Reuters, a nomeação de Bordón como secretário-geral está sendo bloqueada pela Venezuela, embora isso nunca tenha sido colocado de forma aberta nem tenha sido apresentada uma alternativa.

Ao mesmo tempo, disse a fonte, os países não conseguem consenso para suspender a Venezuela como fizeram no Mercosul.

Na nota, os países signatários também consideram “alarmante a situação de indisciplina que veio se apresentando no interior da Secretaria-geral”. O documento explica que isso não pôde ser solucionado “porque, diante da ausência de um secretário-geral, não existe na Unasul uma instância disciplinar para atendê-las”.

Na prática, a Unasul está paralisada há um ano e meio. A entidade foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção de aumentar a integração regional. A guinada à direita nos governos de diversos países, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a configuração do bloco e dividiram a região.

(Com EFE e Reuters)

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