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BC conservador e corte de 75 pontos na próxima reunião: 9 análises sobre as surpresas do Copom

SÃO PAULO – Pela sexta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária cortou a taxa básica de juros para 10,25% ao ano, o que levou a Selic ao mesmo patamar registrado há pouco menos de seis anos. A decisão marcou a segunda redução de 100 pontos na taxa, atendendo às expectativas do mercado, mas também trouxe novas sinalizações sobre o futuro da política monetária brasileira. Confira as principais análises do mercado:

Paulo GomesAzimuth Brasil Wealth Management
A decisão do Copom confirmou as expectativas do mercado, mas praticamente fechou as portas para a manutenção do atual ritmo de redução de 100 pontos da Selic. Na avaliação do especialista, o BC já avisou o mercado que não pretende cortar 100 pontos-base na próxima reunião do Copom, marcada para julho deste ano. Em seu cenário-base, o próximo movimento da autoridade monetária será por uma redução de 75 pontos nos juros. “Embora fale que a inflação continue favorável, o BC chama atenção para possíveis impactos do aumento de incerteza sobre a trajetória prospectiva da inflação. Talvez isso justifique uma postura de redução mais moderada”, destacou.

Segundo o especialista, a incerteza associada ao processo de aprovação da agenda de reformas no Congresso faz com que a equipe de Ilan Goldfajn apresente visão moderada e reforce as condicionantes para que se possa seguir com uma política de afrouxamento monetário, em vista a uma aproximação da taxa neutra no futuro. “Conforme se aproxima de um dígito [de taxa básica de juros], o Banco Central limita seu espaço de atuação” e passa a depender mais da pauta parlamentar, disse Gomes. As incertezas quanto à reforma da Previdência são o principal fator de risco no momento.

Se a conjuntura doméstica tem inspirado cautela, o cenário externo parece mais benigno para os diretores do Banco Central, em comparação com avaliações prévias apresentadas em comunicados anteriores. Apesar disso, o economista chama atenção para os possíveis efeitos da alta do dólar sobre os preços, apesar do mercado ainda desaquecido. Paulo Gomes não descarta a possibilidade de o BC decidir um ritmo ainda mais lento de cortes nos juros, com uma redução de 50 pontos. Este, porém, é um cenário menos provável no momento.

Adeodato Volpi, Eleven Financial
Na avaliação do estrategista, o comunicado do BC deixou claro que, se o cenário continuar igual, o Copom vai reduzir moderadamente o ritmo do corte da Selic para 75 pontos-base na próxima reunião de julho. “Não acho que o mercado vai ficar feliz com isso, embora já fosse esperado”, disse. Para ele, o quadro de incertezas quanto ao andamento da agenda de reformas e até acerca da continuidade do atual governo pode influenciar na decisão dos diretores da autoridade monetária.

“A bagunça institucional vista no dia 17 de maio fez com que o BC, que vinha ressaltando que a inflação estava sob controle e as reformas eram adequadas para um ritmo até mais forte de queda dos juros, apontasse agora para uma redução moderada no ritmo. Isso significa um corte projetado de 75 pontos, levando os juros para 9,5% em julho”, observou.

Gustavo Cruz, XP Investimentos
O comunicado que anunciou o novo patamar da taxa básica de juros brasileira deixou claro que o andamento da política monetária é afetado pelo ritmo das reformas no Congresso. “Se o BC reduzisse o ritmo, seria sinal negativo de preocupação”, afirmou o economista Gustavo Cruz à Bloomberg. Na avaliação do especialista, os rumos a serem tomados na próxima reunião do Copom estão mais incertos.

Votorantim
“A decisão e a justificativa do BC foram em linha com o que as pessoas achavam, com incertezas aumentando dúvida sobre comportamento de juro neutro”, observou Roberto Padovani, economista do Banco Votorantim, em entrevista
por telefone à Bloomberg. Na avaliação do especialista, a surpresa está na comunicação forte sobre o próximo passo a ser adotado pela autoridade monetária, que sinaliza para redução mais tímida na Selic, de 75 pontos. “O BC está refletindo o que a sociedade discute: há incertezas políticas e elas acabam se manifestando em relação ao ritmo de aprovação de reformas. Sem reformas, economia se torna menos previsível, o que não ajuda investimentos, produtividade”

Haitong
O comunicado do Banco Central é mais conservador que os últimos feitos e já sinaliza uma possível desaceleração do ritmo na próxima reunião. “À luz dos elementos de hoje, fica muito difícil ter corte de 100 pontos na próxima reunião”, afirmou o economista sênior Flávio Serrano à Bloomberg. “Devemos ter mais cautela na condução da política monetária
por conta de aumento de incertezas”.

MB Associados
Ficou claro que a queda dos juros na próxima reunião será menor e um cenário recessivo pode voltar às análises. Para o economista-chefe Sérgio Vale, a linguagem adotada pelo BC no comunicado “é um sinal de alerta sobre as incertezas que pairam sobre a reforma da Previdência”. “Como é difícil imaginar o governo aprovando a reforma como está, ou o governo sai para que haja chance de uma nova composição ou então podemos caminhar para uma taxa de juros mais alta no final do ano do que o mercado esperaria”, complementou.

Fator
Há uma sugestão modesta de redução no ritmo de cortes na Selic na próxima reunião, em julho. Ou seja, cresceram as chances para a taxa básica cair apenas 75 pontos. “O BC praticamente não fala de mais nada além dessa incerteza sobre a velocidade das reformas e impactos sobre a taxa estrutural”, observou o economista-chefe José Francisco Gonçalves à Bloomberg. Na o especialista, a autoridade monetária está “sancionando o que o mercado está achando, que é o que estava na curva”.

Rabobank
O Banco Central fez um reconhecimento importante da incerteza que envolve a atual conjuntura. Na avaliação da equipe econômica do banco, as dificuldades para as reformas da Previdência e trabalhista no parlamento tendem a arrefecer o ímpeto da política monetária. Com isso, a próxima reunião do Copom deverá sacramentar um corte de 75 pontos nos juros e uma Selic a 9,50%.

Garde Asset Management
Aumentaram as chances de um corte de 75 pontos na próxima reunião do Copom, o que significaria uma desaceleração no ritmo da política de afrouxamento monetário. “O BC está mais cauteloso e faz menção explícita a riscos”, observou Daniel Weeks. “Não esperava que BC fosse tão conservador”.

Ilan Goldfajn no Copom


(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

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