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Bancos brasileiros tiveram maior lucro em 2016, aponta estudo do BIS

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) identificou que, nos últimos anos, a rentabilidade bancária foi prejudicada pelo crescimento econômico morno, baixas taxas de juros e atividade relativamente menor do cliente. Não no Brasil. No relatório anual divulgado ontem pela instituição, o resultado líquido das maiores instituições financeiras foi de 1,99% do total de ativos do grupo que reúne três bancos, fazendo com que o País se destacasse entre 16 jurisdições analisadas como uma das que menos sofreram em 2016 com a economia global mais amena.

O segundo colocado foi a Rússia, com um percentual de 1,86%, seguido por Estados Unidos (1,36%), China (1,34%) e Austrália (1,17%). A Itália foi o único país a apresentar variação negativa, de -0,67%, mas os demais países também apresentaram resultados fracos, apesar de positivos, como Alemanha (0,03%), Suíça (0,11%), Reino Unido (0,22%), França (0,42%), Japão (0,52%), Espanha (0,53%), Índia (0,56%), Coreia (0,63%), Suécia (0,78%) e Canadá (0,97%).

No caso dos ganhos com juros, a liderança ficou com a Rússia em 2016, com uma relação de 4,44% com o total de ativos – a amostragem do BIS com os maiores bancos do país também é de três instituições. O Brasil ficou com a vice-liderança (3,22%) e na sequência vieram Índia (2,56%), Estados Unidos (2,25%), Espanha (2,03%) e China (1,92%).

Em meio à atividade global fraca, o Brasil foi também apontado pelo BIS como o campeão dos lucros com taxas e tarifas na comparação com o total de ativos no ano passado, com 1,86%. Na segunda posição, também com amostragem de três instituições financeiras, ficou a Suíça (1,40%) e, na terceira, com 10 bancos avaliados por serem considerados os maiores do país, os Estados Unidos (1,15%). O grupo que apresentou relação superior a 1% ainda conta com a Rússia (1,04%). Todos os demais países apresentaram taxas inferiores a esse patamar.

O BIS observou ainda que os dois maiores bancos da Índia foram os que mais separaram provisões para pagamentos duvidosos em relação ao total de ativos no ano passado (1,88%), seguidos por Brasil (1,65%) e Rússia (1,30%). Todos os demais países apresentaram variações inferiores a 1%.

 

No ltimo ano, as condies econmicas globais melhoraram e se tornaram as mais favorveis desde a crise financeira internacional de 2008 e 2009. A avaliao foi feita pelo chefe do Departamento Econmico e Monetrio do Banco de Compensaes Internacionais (BIS, na sigla em ingls), Claudio Borio, por meio de um documento que acompanha o Relatrio Anual da instituio, divulgado ontem. “Que diferena um ano pode fazer. Quando o Relatrio Anual do ano passado foi impresso, a escurido prevalecia nos mercados e na formulao de polticas”, considerou.

Borio lembrou que um ano atrs, os mercados de aes estavam de lado, e os rendimentos dos ttulos pblicos afundavam em direo a suas mnimas histricas, j que os investidores enxergavam a economia global presa em um crescimento fraco at um futuro distante. “Os formuladores de polticas estavam falando sobre uma ‘recuperao anmica’. No demorou muito para que o resultado surpreendente do plebiscito no Reino Unido para deixar que a Unio Europeia inicialmente se tornasse outro golpe para esse sentimento. As coisas mudaram substancialmente depois disso. O pessimismo deu lugar confiana”, avaliou.

O economista comentou que foi outro evento poltico – a eleio presidencial dos Estados Unidos – que voltou a marcar os mercados financeiros, que se tornaram mais dinmicos. Ele salientou que a volatilidade se espalhou para nveis muito baixos, o que normalmente um sinal claro de apetite de alto risco.

O crescimento se fortaleceu consideravelmente, e a previso do BIS a de que ele retornar para as mdias de longo prazo “em breve”. Borio citou que a desacelerao econmica das principais economias diminuiu, que, em algumas delas, as taxas de desemprego voltaram a nveis consistentes com o pleno emprego e que a inflao aproximou-se dos objetivos dos bancos centrais.

“Ainda assim, pode-se legitimamente perguntar se o sentimento se fortaleceu demais. As dvidas sobre o futuro derivam de tenses que tero de ser resolvidas em algum momento e de desenvolvimentos a longo prazo que eventualmente possam ameaar o crescimento”, observou, acrescentando que existe conflito entre as leituras da volatilidade dos mercados financeiros, que caram, e os indicadores de incerteza poltica, que surgiram.

H tambm tenses entre os mercados de aes, que subiram, e as taxas de ttulos soberanos, que no aumentaram muito medida que as perspectivas econmicas ressurgiram. “E, infelizmente, os desenvolvimentos de longo prazo indesejveis que denominamos ‘a trindade arriscada’ no relatrio do ano passado ainda esto conosco: crescimento de produtividade baixo, dvida excepcionalmente alta e espao estreito para a atuao de polticas”, citou o economista da instituio.

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