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Banco Mundial diz ter manipulado lista de competitividade

Nova York, EUA, e Santiago, Chile. O Banco Mundial assumiu ter alterado intencionalmente a metodologia de um de seus relatórios econômicos mais importantes por vários anos. O economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, disse ao “The Wall Street Journal” que irá corrigir e recalcular os rankings nacionais de competitividade nos negócios divulgados no relatório “Doing Business” de pelo menos os últimos quatro anos.

“As revisões podem ser particularmente relevantes para o Chile, cuja posição no ranking tem sido especialmente volátil nos anos recentes e potencialmente foi influenciada por motivações políticas da equipe do Banco Mundial”, disse Romer.

O relatório é uma das iniciativas de maior visibilidade do Banco Mundial e apresenta um ranking de países por competitividade no seu ambiente de negócios. Os países competem um contra o outro para melhorar seus padrões, e seu resultado atrai uma extensa cobertura da mídia internacional.

O ex-diretor do grupo responsável pelo relatório, o chileno Augusto Lopez-Claros, não respondeu de imediato aos pedidos de entrevista enviados ao seu e-mail pessoal e do trabalho que constam em seu website. Ex-professor da Universidade de Chile, Lopez-Claros deve deixar o Banco Mundial neste ano, enquanto também atua como membro sênior na Universidade de Georgetown. Um porta-voz do Banco Mundial declarou que a instituição não fará novos comentários, além das declarações de Romer. “Quero pedir desculpas ao Chile e a qualquer outro país ao qual possamos ter transmitido uma impressão errada”, disse Romer, que assumiu a culpa pelo ocorrido.

Repercussão. A polêmica se instalou no Chile no sábado (13). A metodologia utilizada pelo Banco Mundial para a medição teria sido constantemente modificada, mostrando uma menor competitividade no Chile durante o governo da socialista Michelle Bachelet (2014-2018). “Muito preocupante o ocorrido com o ranking de competitividade do Banco Mundial. Além do impacto negativo na posição do Chile, a alteração abala a credibilidade de uma instituição que deve contar com a confiança da comunidade internacional”, disse a presidente Bachelet em sua conta oficial do Twitter.

A posição do Chile na lista variou enormemente desde o ano de 2006, um período em que se alternaram no poder a socialista Bachelet e o conservador Sebastián Piñera, agora reeleito presidente, e que vai tomar posse em março.

No período de Bachelet, a posição do Chile no ranking deteriorou-se repetidamente, mas subiu com Piñera. O Chile chegou a ocupar a posição de número 25. De acordo com Romer, durante o governo de Bachelet, a competitividade caiu do 33º lugar em 2015 para 120º um ano depois, pelas mudanças constantes na forma de medir o índice, e não pelas medidas econômicas adotadas pelo governo chileno. “Com base nos itens que nós estávamos mensurando antes, as condições de negócio no Chile não pioraram no Chile durante a administração de Bachelet”, concluiu Romer.

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