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Atenção para a degeneração macular relacionada à idade

Doença atinge retina, no fundo do olho, aparece a partir dos 50 anos e pode causar cegueira

O oftalmologista João Lins é retinólogo, especialista em retina, e alerta para os sintomas iniciais da degeneração macular.

A jornalista aposentada Janira Leal usava a visão como instrumento de trabalho desde que se lembra. Lia as notícias no teleprompter, gravava reportagens de rádio e se informava pelo jornal de papel. Via tudo perfeitamente. “É normal que, depois de certa idade, a gente não consiga ver as coisas de perto sem óculos. Mas muitas vezes eu conseguia. Minha vista era sensacional”, afirma.

Mas, nos últimos quatro anos, desde que percebeu uma baixa de visão significativa em um dos olhos, ela vem fazendo um tratamento contra degeneração macular relacionada à idade (DMRI), doença que pode aparecer depois dos 50 anos e provocar perda progressiva da visão. A DMRI atinge justamente a mácula, pequena região da retina responsável pela visão central e pela percepção de detalhes.

Janira acreditava simplesmente que precisava trocar os óculos com urgência. Isso porque o primeiro sintoma normalmente é o embaçamento, especialmente durante tarefas como ler e costurar. Só depois é que vem a formação de “pontos cegos” no campo visual. “Senti como se fosse uma coisinha escura”, diz. Ao chegar ao consultório médico, foi identificado nela um pequeno sangramento no fundo do olho: era a forma hemorrágica da degeneração.

A imagem abaixo, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, simula a visão normal e a visão com DMRI. “Como a degeneração é na mácula, normalmente a perda de visão é central, a periferia fica preservada”, explica o oftalmologista especialista em retina João Lins, do Instituto de Cirurgia Ocular do Nordeste (ÍCONE). Veja:

A degeneração macular relacionada à idade é causada por drusas, que são restos de células acumuladas na mácula, no fundo do olho, ao longo da vida. Nem toda DMRI, no entanto, vem acompanhada de sangramentos. Também existe a forma seca, responsável por 90% dos casos. Nela, as drusas apenas se acumulam e provocam uma baixa de visão mais sutil. Quando esse acúmulo provoca sangramento, temos a forma úmida ou hemorrágica. Essa, sim, é mais grave.

“Você pode ter só presença de drusas (que ficam sob o tecido retiniano) com visão baixa, a DMRI seca, que causa menos baixa de visão. Se essas drusas, por um mecanismo que ainda está incerto, vão se juntando, se confluindo, elas podem causar um complexo hemorrágico”, prossegue João Lins.

As causas exatas da DMRI ainda não foram esclarecidas pela comunidade médica, mas acredita-se estar ligada à predisposição genética, exposição ao sol, dieta e tabagismo, entre outros fatores. Estatisticamente, mulheres brancas e de olhos claros estão mais susceptíveis a ter a doença. “Não quer dizer que homens e pessoas negras não possam ter, mas vemos claramente um padrão. É uma doença muito comum nos países nórdicos, por exemplo”, continua o médico.

Tratamento

Na DMRI hemorrágica, como é o caso de dona Janira, o tratamento é feito com substâncias antiangiogênicas, que também são utilizadas contra retinopatia diabética. “São medicações usadas para trabalhar contra fatores que estimulam a vascularização. É como se acalmasse a produção dos vasos e diminuísse a chance de hemorragia”, pontua o doutor João Lins.

As medicações são aplicadas através de uma injeção intravítrea, indolor, diretamente no olho afetado. Ela tem uma atuação a longo prazo – normalmente, a indicação é aplicar três injeções, com intervalos de um mês entre elas. Os antiangiogênicos podem tanto restaurar parte da visão como estagnar o processo degenerativo, a depender da gravidade e do caso, é claro.

Já a forma seca não tem um tratamento tão específico. “A baixa de visão da DMRI seca é leve, como se você tivesse com óculos antigos. Podemos fazer uso de vitaminas em uma concentração específica para diminuir a chance de a forma seca se transformar em hemorrágica”, detalha João. A grande jogada é detectar a doença de forma precoce, antes que os sintomas mais graves apareçam, para que o controle seja mais eficaz.

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