You are here

As 4 novidades que podem mudar o rumo dos mercados

SÃO PAULO – Em um dia de agenda política e econômica movimentada, o Ibovespa chegou a operar no campo positivo com os investidores repercutindo a vitória do governo na CCJ do Senado, onde parecer favorável à reforma trabalhista foi aprovada na noite da véspera, e em meio ao bom desempenho das commodities no mercado internacional, mas virou para queda acompanhando a sessão de maior pessimismo nas bolsas mundiais.

Às 14h02 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira apresentava variação negativa de 0,09%, a 61.961 pontos, puxado sobretudo pela redução dos ganhos das ações de Petrobras e Vale, assim como o dia negativo das ações dos bancos. No radar dos investidores, além do avanço da reforma trabalhista no Senado, destaque para a escolha da sucessora de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República, a mudança da meta de inflação para 2019, e a decisão do Cade que impediu a consolidação de um gigante educacional a partir da fusão entre Kroton e Estácio.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 subiam 2 pontos-base, a 8,99%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 saltavam 7 pontos-base, a 10,20%. No mercado de renda fixa, os investidores observam a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de reduzir a meta de inflação em 0,25 ponto percentual a partir de 2019, para 4,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Os contratos de dólar futuro com vencimento em julho deste ano subiam 0,81%, sinalizando cotação de R$ 3,310. O dólar comercial avançava 0,75% ante o real, cotado a R$ 3,3095.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Destaques da Bolsa
Do lado acionário, os papéis da Vale (VALE3; VALE5) zeraram os ganhos após subirem por seis sessões consecutivas, acompanhando o bom desempenho do minério de ferro no mercado internacional. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4) — holding que detém participação na mineradora — e as siderúrgicas.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) sobem na esteira dos preços do petróleo, cujos contratos WTI registram sua sexta sessão seguida de ganhos, com declínio na produção da commodity nos EUA sustentando um mercado que vinha pressionado por um excesso na oferta global. No noticiário, segundo o jornal Valor Econômico, a estatal deverá contar com opinião de firmas de auditoria que não prestam serviço para ela para defender a adequação da adoção da prática de contabilidade de hedge pela empresa desde meados de 2013, que foi questionada pela área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Os papéis da Kroton (KROT3), por sua vez, viraram para alta, enquanto as ações da Estácio (ESTC3) operam no negativo. Ontem, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) rejeitou a fusão entre as empresas por 5 votos a 1. Proferido pela relatora Cristiane Alkmin, o único voto favorável, porém, apresentava uma série de restrições que deveriam ser cumpridas.

Em relatório, o Credit Suisse diz que o impacto do veto à fusão traz pouco impacto para a Kroton. “O papel nos parece barato quando o olhamos sozinho”, comentam os analistas, que seguiram com recomendação “outperform” (desempenho acima da média) para a ação, com preço-alvo em R$ 16,00. Já quando olham para a Estácio, a percepção dos analistas é de que os próximos dias ainda podem ser marcados pela saída de investidores do “spread”, podendo o papel sofrer mais um pouco.

A Kroton disse respeitar decisão do Cade e que as companhias seguem independentes. Logo após a decisão, diversas casas revisaram suas recomendações. A Estácio foi reduzida de overweight para neutra pelo JPMorgan e para recomendação equivalente à venda pelo HSBC. A Kroton, por sua vez, foi reduzida para manutenção. O Santander espera pequena correção em Kroton e Estácio após a decisão e destaca que a Ser poderia se beneficiar de fusão com Estácio. Isso porque, conforme ressalta o Bradesco BBI, a Estácio aparece como ‘alvo natural’ para outros players.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 12,12 -4,19 -42,61 17,67M
 CSNA3 SID NACIONALON 6,90 -3,50 -36,41 46,90M
 CMIG4 CEMIG PN 8,05 -2,66 +7,26 68,80M
 BRML3 BR MALLS PARON 11,48 -2,55 +11,10 19,45M
 MULT3 MULTIPLAN ON EJ N2 63,94 -2,08 +8,59 25,89M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 34,13 +3,27 +9,65 50,98M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 14,20 +2,08 +2,68 24,36M
 JBSS3 JBS ON 6,26 +1,79 -44,91 39,53M
 BRKM5 BRASKEM PNA 33,86 +1,32 -1,14 12,65M
 WEGE3 WEG ON 17,63 +1,21 +14,61 7,45M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Reformas no Congresso
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou ontem, por 16 votos a favor, 9 contrários e 1 abstenção, o relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR) favorável à reforma trabalhista. Os senadores também rejeitaram todas as sugestões de emendas que foram destacadas para serem analisadas separadamente. Sob protestos da oposição, o colegiado aprovou o regime de urgência para o projeto ir para plenário. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), já comunicou que pautará a matéria imediatamente. Assim, ela poderá ser analisada já na sessão extraordinária convocada para as 10h de hoje (29) ou ficar para a próxima terça-feira (4), caso não haja quórum.

Para garantir a aprovação, o presidente Michel Temer encaminhou aos senadores uma carta na qual reafirmou seu compromisso de vetar seis pontos acordados previamente por Jucá com os senadores da base aliada. A regulamentação desses pontos será feita posteriormente por meio de medida provisória. 

Em meio ao cenário de instabilidade, a reforma da Previdência ficou em segundo plano. Contudo, ressalta o jornal O Globo, os assessores do presidente resistem em jogar a toalha e acreditam ser possível votar a proposta até o fim deste ano. Segundo a fonte ouvida pelo jornal, a intenção é insistir na votação do texto aprovado na comissão especial que tratou do tema no início de maio. De forma tímida, as conversas com os deputados estão recomeçando. Já o Planalto prefere dar um tempo antes de pautar a reforma: a ideia é só intensificar as conversas com os partidos após o recesso parlamentar de julho para avaliar os impactos da denúncia na base aliada.

Crise política e PGR
Ainda no cenário político, destaque para a escolha de Raquel Dodge para a PGR no lugar de Rodrigo Janot, cujo mandato termina em setembro. Dodge será a primeira mulher a ocupar PGR e é vista como rival do atual procurador-geral da República.

Segundo informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, aliados de Temer comemoraram o fato de ele ter seguido à risca a estratégia de escolher rapidamente a sucessora de Janot. Com isso, dizem, “o Planalto jogou um balde de gelo na xícara de café” do procurador-geral, que prepara novas denúncias contra ele. Sobre as denúncias, o líder do governo na Câmara Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que elas devem ser votadas juntas. 

Aliás, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, envia ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a denúncia contra Temer nesta manhã. Ontem, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, decidiu enviar a acusação diretamente aos deputados, sem ouvir a defesa de Temer.

Já o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou, no final da tarde de ontem, a liderança do PMDB e anunciou independência do governo, alegando não ser “marionete”.

PIB dos EUA
A economia dos Estados Unidos cresceu 1,4% no primeiro trimestre, em taxa anualizada, informou o Departamento de Análise Econômica em revisão divulgada na manhã desta quinta-feira (29). A mediana das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg apontava para uma alta de 1,2%. Apesar da revisão levemente acima das expectativas do mercado, o resultado marca uma desaceleração em relação ao desempenho registrado no trimestre anterior, quando o PIB saltou 2,1%.

Contribuíram para o resultado positivo da economia norte-americana no período o desempenho mais forte das exportações (+7%) e um aumento nos gastos dos consumidores (+1,1%), sobretudo em questões relativas à saúde e serviços financeiros. Por outro lado, poucas alterações foram vistas do lado dos investimentos, estoques e gastos do governo.

Outros destaques da agenda
Além dos indicadores já anunciados, a quinta-feira também conta com dados asiáticos: preços ao consumidor do Japão de maio às 20h30 e produção industrial do país às 20h50. Às 22h, será divulgado o PMI de manufatura da China de junho.

Bolsas mundiais
Enquanto as bolsas europeias têm um dia misto de olho na reunião da OTAN, os demais índices mundiais registram uma sessão de ganhos na esteira da alta de commodities e digerindo o resultado do PIB nos EUA. Em Wall Street, o dia é de queda para os principais índices acionários, com os investidores preocupados com o desempenho da maior economia do mundo, apesar da revisão para o PIB anunciada hoje. Além disso, atenção para os dados do euro — o índice de confiança da região superou as estimativas e atinge maior nível na década –, enquanto BCE avalia redução de estímulos.

No mercado de commodities, o petróleo tem sexta alta seguida com baixa da produção nos EUA, enquanto os metais avançam em Londres e o minério de ferro sobe na China com usinas demandando matéria-prima de alta qualidade. A confiança no gigante asiático também era impulsionada pelo alívio dos temores de uma crise de liquidez no sistema bancário no final do trimestre, bem como pelo fortalecimento do iuan, que atenuou as preocupações com as saídas de capital.

(Com Bloomberg, Reuters, Agência Estado e Agência Brasil)

Source

Related posts

Leave a Comment