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Após ciberataque, Hospital de Câncer de Barretos estima 5 dias para normalizar atendimentos em todo o país | Ribeirão e Franca

Unidade teve 3 mil consultas e exames suspensos na terça-feira (27) após hackers pedirem resgate em bitcoins para desbloquear sistemas. CPU será periciada em Brasília (DF).

Após ciberataque, Hospital de Câncer de Barretos prevê 5 dias para normalizar atendimentos

Após ciberataque, Hospital de Câncer de Barretos prevê 5 dias para normalizar atendimentos

Alvo de um ataque de hackers na terça-feira (27), o Hospital de Câncer de Barretos (SP) espera retomar 100% de suas atividades em todo o país até a próxima segunda-feira (3).

Em torno de três mil consultas e exames foram suspensos depois que invasores bloquearam os sistemas e pediram resgate em bitcoins – a moeda virtual mais conhecida da internet. Foram afetadas todas as unidades da instituição, o que inclui Jales (SP), Fernandópolis (SP), Porto Velho (RO), Juazeiro (BA) e Campo Grande (MS).

“Até sexta-feira um alto percentual já vai ter retornado ao normal, mas 100% apenas na segunda-feira”, afirmou o diretor clínico da unidade, Paulo de Tarso.

A Polícia Federal, que investiga o ataque, confirmou que agentes estiveram em Barretos ainda na terça-feira e recolheram uma das CPUs para análise em Brasília (DF). “Por ora, não podemos fornecer demais informações sobre o caso”, informou, em nota.

O departamento de informática estima que aproximadamente 1 mil máquinas de toda a rede do hospital foram afetadas e técnicos devem levar até três dias para reverter o ataque cibernético.

Os hackers pediram um resgate de 300 dólares em bitcoins – dinheiro digital usado para compra de produtos – para liberar o sistema em cada computador. O hospital não informou se irá realizar o pagamento.

Mensagem que apareceu na tela pedia resgate em bitcoin (Foto: Reprodução/TV TEM)Mensagem que apareceu na tela pedia resgate em bitcoin (Foto: Reprodução/TV TEM)

Mensagem que apareceu na tela pedia resgate em bitcoin (Foto: Reprodução/TV TEM)

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o hospital informou que, apesar do bloqueio dos sistemas, os dados dos pacientes não foram afetados, assim como consultas, quimioterapias, cirurgias e endoscopias.

“Felizmente não foi nada afetado, não perdemos nenhum dado dos pacientes, nenhum exame será necessário ser repetido”, afirmou Tarso.

Por outro lado, pacientes de radioterapia em Barretos (SP) e Jales (SP) não terão tratamentos realizados nesta quarta-feira. O hospital também confirma restrições nos serviços de imagem, como tomografias e raios-x.

Nota do Hospital de Câncer de Barretos

O Hospital de Câncer de Barretos informa que as equipes de TI (Tecnologia da Informação) estão trabalhando para normalizar os atendimentos. Alguns servidores do sistema de informática já estão em funcionamento, assim como as estações de trabalho. Os dados dos pacientes não foram afetados.

Consultas, quimioterapias, internações, cirurgias, endoscopias e o departamento de Medicina Nuclear seguem suas rotinas. Já os pacientes da Radioterapia, nas unidades de Barretos (SP) e Jales (SP), não terão seus tratamentos realizados hoje.

Serviços de Imagem (tomografia, ressonância, raios-X e ultrassom) serão feitos somente em casos de emergência.

Os demais atendimentos nas unidades de Jales e Porto Velho (RO) estão sendo realizados com algumas restrições.

Os Institutos de Prevenção (unidades fixas) estão 100% paralisados. As unidades móveis (carretas) não foram prejudicadas e seguem seus calendários normais.

Hospital do Câncer de Barretos foi alvo de ataque hacker na terça-feira (Foto: Cláudio Oliveira/EPTV)Hospital do Câncer de Barretos foi alvo de ataque hacker na terça-feira (Foto: Cláudio Oliveira/EPTV)

Hospital do Câncer de Barretos foi alvo de ataque hacker na terça-feira (Foto: Cláudio Oliveira/EPTV)

Cerca de 3 mil consultas e exames foram cancelados em diferentes unidades e 350 pacientes deixaram de realizar tratamento de radioterapia nesta terça-feira (27) depois que o sistema do Hospital de Câncer de Barretos (SP) foi invadido por hackers.

O coordenador do departamento de radioterapia, Daniel Marconi, afirmou que o ataque foi identificado por volta de 9h e prejudicou, inclusive, os aparelhos usados na terapia radioativa. As sessões foram canceladas.

Em uma mensagem exibida nos computadores, os hackers pediram o pagamento de 300 dólares em bitcoins, a moeda virtual mais conhecida da internet, para liberar o sistema novamente. “Eu estava trabalhando quando sofri a invasão hacker”, afirma Tarso, que viu o computador ser bloqueado e exibir a mensagem de resgate.

Os prontuários dos pacientes não foram prejudicados, porque o banco de dados e o sistema oncológico foram preservados, mas, com os computadores bloqueados, ficou impossível acessá-los.

As mensagens com pedido de resgate dos hackers para liberação do sistema chegaram aos monitores dos computadores do hospital. A unidade de Jales procurou a Polícia Federal e fez a denúncia. O delegado disse que vai avaliar a denúncia e decidir o que vai fazer.

De acordo com o coordenador do Departamento de Tecnologia da Informação (TI) da instituição, Douglas Vieira dos Reis, esse ataque foi parecido com o que aconteceu em várias empresas no mundo há cerca de dois meses.

“É um programa que se aproveita da vulnerabilidade do sistema. Ele entra e criptografa alguns dados e lança uma tela pedindo resgate das informações”, explicou.

Sites do governo e de várias empresas ucranianas foram alvo na terça-feira do ataque cibernético, que atingiu aeroportos, bancos e escritórios do governo. Um conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia o classificou como o pior na história do país.

O conselheiro ucraniano Anton Gerashchenko disse que as interrupções foram causadas pelo Cryptolocker, um vírus de resgate como o WannaCry, que bloqueou mais de 200 mil computadores em mais de 150 países em maio. Segundo a empresa de cibersegurança Symantec, o outro vírus responsável pelo ataque desta terça-feira é o Petya.

Ainda não se sabe se o ataque ao Hospital de Câncer, no interior de SP, tem relação com o que aconteceu na Europa.

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