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Amazonas lidera ranking brasileiro de incidência da tuberculose, diz FVS | Amazonas

Tosse é um dos principais sintomas da doença. (Foto: Paulo Dutra/G1 AM)Tosse é um dos principais sintomas da doença. (Foto: Paulo Dutra/G1 AM)

Tosse é um dos principais sintomas da doença. (Foto: Paulo Dutra/G1 AM)

O Amazonas ocupa o primeiro lugar no ranking brasileiro em incidência da tuberculose, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). Somente neste ano, já foram registrados 497 casos da doença em todo o estado, sendo que 370 das ocorrências foram apenas em Manaus. No ano passado, o total de casos ultrapassou 3,1 mil.

De acordo com a coordenadora Estadual do Programa de Controle da Tuberculose da FVS, Marlucia Garrido, a doença já foi causadora de muitas mortes no Estado e que até hoje deixa marcas na história do Amazonas.

“Há mais de cem anos a tuberculose é um grave problema no Amazonas, porque desde o início do século passado, ela sempre foi uma das doenças que mais levou à morte à população e continua até os dias atuais. A população tem uma longa história de convivência com a doença e se você fizer uma pesquisa, a maioria das famílias já teve alguém que teve tuberculose, que curou ou que levou a óbito, mas é uma marca muito grande na nossa região”, informou Garrido.

Garrido explica que toda a população está exposta à tuberculose e que, ao contrário do que se pensa, é possível conviver com a bactéria no organismo sem adoecer.

“Toda a população é exposta e a estimativa mundial é que um terço das pessoas no mundo estão infectadas com a bactéria, mas nem todas adoecem. Então, quais são os fatores que levam ao adoecimento? Um sistema imunológico enfraquecido. Enquanto nossas defesas do organismo estiverem funcionando de modo adequado e a gente tem boa saúde, nós podemos conviver com a bactéria no nosso organismo sem adoecer”, informou.

Vários fatores ou grupos de pessoas, de acordo com Garrido, podem contribuir para o enfraquecimento das defesas do organismo, levando a pessoa a adquirir a doença, tais como: má alimentação; pessoas em situação econômica muito desfavorável; desempregados; portadores do vírus HIV; diabéticos; envelhecimento; entre outros.

“Qualquer situação que deprime o sistema de defesa pode contribuir para a pessoa que já tinha a bactéria no organismo, ou seja, que já conviveu com um doente de tuberculose, evoluir para a doença em algum momento da vida. Isso geralmente não é rápido, algumas pessoas podem adoecer em até 2 anos e os outros têm o resto da vida para desenvolver ou não a doença”, explicou.

Segundo Garrido, o principal sintoma da doença é a tosse, quando a tuberculose está localizada no pulmão, mas pode se estender a outras partes do corpo.

“Na maioria das vezes, a tosse é o principal chamado, quando a tuberculose é no pulmão, mas a tuberculose pode se apresentar em outros lugares do corpo também. Os exames precisam ser feitos de acordo com a localização. Quando a tuberculose é pulmonar, o principal sintoma é a tosse. Quando ela é fora do pulmão, ela se manifesta de outra maneira”, disse.

“A gente precisa alertar que qualquer tosse que demore a passar, que não cura com medicamentos caseiros, que não cura com medicamentos comumente usados para gripe ou tosse de um modo geral, precisa ser investigado”.

Atualmente, a doença é prevenível e curável. “Prevenível, na medida em que, quando as pessoas tiverem contato com a tuberculose, toda a família deve ser examinada em busca de outras pessoas doentes e [identificar] àquelas que têm maior risco de adoecer. Curável, na medida em que as pessoas que tomam remédio corretamente e [quando for] descoberto logo no início da doença, é fácil curar a tuberculose. O tratamento é de seis meses, mas o remédio só é tomado uma vez por dia”, informou Garrido.

“As pessoas têm vergonha da doença. As que convivem, têm medo do doente e não há necessidade disso. A doença é prevenível e curável e não são todas as pessoas que convivem com o doente e que vão adquirir a doença. Tudo depende do sistema de defesa do nosso organismo, mas o estigma e o preconceito ainda são muito fortes até os dias atuais e isso contribui para o abandono, a demora na busca do tratamento. Infelizmente, é assim”, contou a coordenadora Estadual do Programa.

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