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Acaba a dinastia Castro: Cuba vai ter novo presidente – Internacional

(foto: GUILLAUME HORCAJUELO)
(foto: GUILLAUME HORCAJUELO)


A Assembleia Nacional, formada por mais de 600 deputados, deve aprovar o nome do engenheiro Miguel Diaz-Canel Bermúdez, de 57 anos, para suceder ao presidente Raúl Castro. 

Será a primeira vez em mais de cinco décadas que o comando do país não estará nas mãos de uma pessoa de sobrenome Castro, após o triunfo da revolução dos irmãos Fidel e Raúl, em 1959.

A cerimônia começou após a entrada de Raúl Castro e Díaz-Canel na sala do Palácio das Convenções para a votação que deve eleger o sucessor. Os votos são secretos e acredita-se que refletem a vontade do alto-comando nacional, após um complexo processo de vários meses que começou com eleições de base em cada quadra.

O jornal Granma, do Partido Comunista, informou que os parlamentares  se reuniriam ontem primeiro para escolher os líderes do Legislativo antes de votar no presidente e nos outros membros do Conselho de Estado, o órgão governamental mais alto do país. A votação secreta será contabilizada pela Comissão Nacional Eleitoral e o resultado divulgado hoje.

O processo de dois dias é incomum para a Assembleia Nacional Cubana, que geralmente demora apenas um dia para selecionar o presidente. Castro deixa a Presidência depois de dois mandatos de cinco anos. O irmão de Raul, Fidel Castro, foi o primeiro-ministro e presidente do país de 1959 até 2006, quando adoeceu. Ele morreu no ano passado.

Diaz-Canel foi empossado como vice-presidente de Raul Castro em 2013 e manteve imagem discreta. Começou a carreira como professor e construiu sua reputação como funcionário público.

Aos poucos, foi ocupando cargos mais altos no Partido Comunista e ficou conhecido pela atuação política local, o incentivo às minorias de lésbicas, gays e transexuais do país e também por ser  adepto da tecnologia (realizou reforma nos currículos das universidades quando foi ministro do Ensino Superior, introduzindo a tecnologia da computação nos programas de muitos cursos).

Discrição

Especialistas enxergam seu posicionamento discreto como estratégia para sobreviver num sistema administrado por revolucionários que estão envelhecendo e destruíram  carreiras de políticos jovens proeminentes.

Conforme explicou o ex-vice-ministro de Relações Exteriores José Raul Viera Linhares, Diaz-Canel deverá se tornar mais um protagonista do que um coadjuvante. “Não é mais suficiente ser um administrador. Inevitavelmente, ele terá que evoluir e se tornar um líder.”

Diaz-Canel foi professor universitário no início de sua carreira, membro do comitê nacional da União dos Jovens Comunistas e primeiro secretário do governante Partido Comunista de Cuba (PCC) da província de Villa Clara, em 1994, atingida como o resto do país pela crise provocada pelo fim do subsídio soviético. Criado em Santa Clara, Leste de Havana, ele nasceu depois da revolução e não tem a fama de seus antecessores que venceram em 1959, segundo informações da agência AFP. Ele gosta de vestir calça jeans e ouvir Beatles.

Em 2003, enquanto servia na província de Holguín (Noroeste), estreou entre os 15 membros do seleto Bureau Político, centro do poder na ilha. Em 2009, Raúl Castro, que havia herdado o poder de seu irmão doente Fidel havia três anos, confiou-lhe o Ministério da Educação Superior. Em março de 2012, chegou a uma das oito vice-presidências do Conselho de Ministros. Ele entrou para o Conselho de Estado em 2013, ocupando o cargo de primeiro vice-presidente, substituindo o histórico José Ramón Machado Ventura. Projetou uma imagem moderna, defendendo maior abertura para a internet e imprensa crítica.

O novo presidente terá que continuar a transição econômica iniciada por Raúl, além de liderar a política da ilha diante do agravamento do bloqueio dos EUA e do retorno de Washington a uma linguagem de confronto. “Ele não é um novato”, disse Raul, elogiando suas três décadas de serviço leal e “sólida firmeza ideológica”. Pai de dois filhos de um primeiro casamento, Diaz-Canel se casou depois com Liz Cuesta, uma acadêmica em cultura cubana.

Como presidente, será chefe das instituições armadas e terá que lidar com a velha-guarda dos “históricos”, muitos dos quais também ocupam altos cargos partidários e governamentais. Uma árdua tarefa para um homem cuja única experiência militar se reduz a um serviço de três anos em uma unidade de mísseis antiaéreos entre 1982 e 1985.

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